Curitiba para amantes de arte: museus que vão além do MON

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Sabe aquela sensação de chegar em frente ao “Olho” de Oscar Niemeyer, tirar a foto clássica e pensar: “Ok, zerei a vida cultural de Curitiba”? Pois é, muita gente para ali. E não me entenda mal, o MON é espetacular, uma obra-prima que coloca qualquer cidade no mapa das artes mundiais. Mas, se você me perguntar onde a alma criativa da capital paranaense realmente se esconde, eu vou te levar por um caminho bem menos óbvio, longe das multidões de turistas de fim de semana. Curitiba tem uma relação curiosa com a arte. Ela não está só dentro das molduras; está no urbanismo, no grafite que brota nos muros do Setor Histórico e até na engenharia audaciosa da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, que é, por si só, uma escultura de ferro e suor cravada na Serra do Mar. Mas voltando aos museus, se você quer profundidade, precisa conhecer o MUPA. O Museu Paranaense (MUPA): Onde a história vira vanguarda Muita gente ignora o MUPA por achar que é “apenas” um museu de história. Erro crasso. Instalado no Palácio São Francisco, ele é um dos espaços mais instigantes da cidade.

O que eu mais gosto ali é como eles misturam o acervo antropológico — com peças indígenas e objetos dos imigrantes europeus — com instalações de arte contemporânea que dialogam com o passado. É um passeio silencioso, fresco, com um jardim interno que parece um refúgio. É o lugar ideal para entender como a identidade paranaense foi moldada, sem o tom sisudo dos livros didáticos. MuMA: Arte no pulsar do terminal Agora, quer uma experiência puramente curitibana? Vá ao Museu Municipal de Arte (MuMA). Ele fica dentro do Terminal do Portão. Sim, você leu certo. Enquanto centenas de pessoas correm para pegar o “ligeirinho”, a poucos metros dali, salas amplas abrigam o acervo de Poty Lazzarotto, o artista que deu rosto à Curitiba. Poty está em todo lugar na cidade — nos painéis de azulejo da Praça 29 de Março, no Teatro Guaíra — mas no MuMA você entende o traço dele. É uma arte democrática, que convive com o barulho dos ônibus e o movimento da classe trabalhadora. É o contraste perfeito entre o caos urbano e a contemplação estética.

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Solar do Barão: O cheiro da tinta e a tradição da gravura Se o seu negócio é algo mais sensorial, o Centro Cultural Solar do Barão é paragem obrigatória. Localizado no coração do centro, esse casarão histórico abriga o Museu da Gravura. O barato aqui não é só ver a exposição pronta, mas sim sentir o ambiente. É comum passar pelos corredores e ouvir o som das prensas ou sentir o cheiro forte da tinta de impressão. Curitiba é uma referência mundial em gravura, e o Solar mantém essa chama viva. É um espaço vivo, onde artistas ainda produzem e trocam ideias sob a arquitetura imponente do século XIX. Além do asfalto: A estética do litoral Muitas vezes, a arte em Curitiba pede um respiro. E esse respiro geralmente vem na forma de um bilhete de trem. Quando você desce a Serra do Mar em direção a Morretes, a “arte” muda de suporte. A arquitetura colonial de Morretes e Antonina funciona como um museu a céu aberto. Imagine almoçar um barreado tradicional — que é uma técnica culinária quase escultural de paciência e fogo — cercado por casarios que preservam a influência europeia com o toque do litoral brasileiro. Se você tiver tempo, estique até a Ilha do Mel. Lá, a arte é orgânica, feita pelas mãos da natureza e preservada pelo isolamento.