Você já acordou no meio da noite, com o lençol encharcado e o coração acelerado, sentindo que o seu próprio corpo decidiu entrar em combustão espontânea? Se sim, você sabe que o climatério não é apenas um “período de transição”. Para muitas mulheres, é um furacão que leva embora o sono, o desejo sexual, a memória e até aquela disposição que parecia inabalável. E aí, quando você finalmente cria coragem para buscar ajuda, esbarra no fantasma do medo. “Hormônio causa câncer”, diz a vizinha. “Minha tia usou e teve problemas”, comenta alguém no trabalho. A verdade é que vivemos sob a sombra de um estudo de 2002 que, embora importante na época, foi mal interpretado e gerou uma “hormonofobia” que ainda castiga gerações de mulheres.
Na prática do consultório, o que vejo é que o risco de não tratar os sintomas costuma ser muito maior do que o risco da terapia em si. Vamos baixar a poeira e olhar para os dados com honestidade. A ciência avançou quilômetros nas últimas duas décadas. Hoje, trabalhamos com o que chamamos de “janela de oportunidade”. Se começarmos a reposição hormonal no início da menopausa — geralmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a última menstruação —, os benefícios para o coração e para os ossos são imensos. Não estamos falando apenas de parar de suar; estamos falando de proteger as artérias e evitar que o fêmur se quebre daqui a vinte anos. Recentemente, atendi uma paciente, vamos chamá-la de Luciana, 52 anos. Ela estava exausta, com uma “névoa mental” que a fazia esquecer palavras simples no trabalho. Luciana tinha pavor de reposição porque sua mãe teve câncer de mama aos 70 anos.
Sentamos e analisamos: o caso da mãe era esporádico, não genético hereditário. Avaliamos as mamas da Luciana com mamografia e ultrassom — tudo limpo. Optamos por uma dose baixa de estradiol transdérmico (aquele gelzinho na pele) e progesterona micronizada. Três meses depois, ela me disse: “Doutor, eu sinto que recuperei as rédeas da minha vida”. O ponto crucial aqui é a individualização. A mastologia e a ginecologia precisam caminhar de mãos dadas. O risco de câncer de mama associado à terapia hormonal existe? Em alguns esquemas específicos, há um pequeno aumento estatístico, mas ele é comparável ao risco de beber uma taça de vinho por dia ou de estar acima do peso. Quando usamos progesterona natural e doses ajustadas, esse perfil de segurança muda drasticamente para melhor. https://www.carolinamalhone.com.br/mastologista-sao-paulo/